Até agora, estivemos visitando a Cidade Velha de Jerusalém onde visitamos a tumba do Rei David, o local da Ultima Ceia, o Monte Sion, o Muro do Templo, a Via Dolorosa, a Igreja do Santo Sepulcro, a Cúpula da Rocha e a Mesquita de Al-Aksa. Também ficamos sabendo que os lugares sagrados de todas as religiões em Israel são protegidos por lei, sendo livre o culto em qualquer local santo, independente da religião.
No programa passado, sugerimos aos ouvintes dedicar um dia de sua viagem a Jerusalém para observar os achados arqueológicos, entre os quais uma rua pavimentada pelos romanos e sobre a qual encontram-se colunas do segundo Templo, jogadas do alto das muralhas pelos soldados de Roma incumbidos de destruir Jerusalém no ano 70 da nossa era.
O esplendor do Templo e a guerra travada pelos judeus contra as forças romanas são conhecidos desde então devido à obra de um escritor que viveu naquela época e acompanhou as tropas invasoras na qualidade de historiador. Seu nome era Flavius Josephus, autor da única fonte confiável e ainda existente sobre Jerusalém nos seus anos de glória e destruição.
O seu livro, A GUERRA JUDAICA, foi, depois da Bíblia, o livro mais lido na Europa até o início do século 20. Antes que o ouvinte viaje a Israel, sugerimos que leia este livro ou um resumo dele, que podem ser encontrados na internet em várias línguas. A confiança na descrição de Flavius Josephus deve-se a que ele esteve presente aos acontecimentos, tendo presenciado pessoalmente a destruição do segundo Templo.
A pergunta que o ouvinte deve estar se fazendo é “quem foi Flavius Josephus?”
Josephus era judeu e nasceu em Jerusalém, no ano 37 depois de Cristo, durante a ocupação romana da Terra de Israel. Seu verdadeiro nome era Yosef ben Matatias e descendia dos Macabeus, que tinham libertado Israel do jugo grego e cuja vitória é comemorada em Chánuca.
Ele foi educado para ser um sacerdote do templo e, por volta dos seus 20 anos foi enviado a Roma para negociar a libertação de rabinos mantidos como reféns pelo Imperador Nero. Ao retornar com êxito da sua missão, ele encontrou a nação iniciando uma revolta contra os romano.
Apesar de não crer no sucesso da rebelião, Yosef ben Matatias tornou-se comandante das forças revolucionárias judaicas na Galiléia. Sua cidade foi tomada e destruída pelo general romano Vespasiano e, milagrosamente, ele conseguiu escapar com vida.
Tomado prisioneiro por Vespasiano, Yosef apresentou-se como um profeta e disse ao general romano que um velho oráculo tinha predito que um novo imperador apareceria na Judéia. Josephus insinuou que o próprio Vespasiano seria este novo imperador de Roma. Intrigado, Vespasiano poupou a vida de Yosef.
No próximo programa esclareceremos como Yosef ben Matatias, um rabino, tornou-se Flavius Josephus, um historiador romano.
Até lá .