O assunto da paz entre Israel e palestinos com a sua solução através de dois Estados teve destaque no noticiário da imprensa internacional. De um lado a pressão do Presidente americano, Barak Obama, para evacuar os assentamentos israelenses da região da chamada Margem Ocidental, tornando essas áreas livres de judeus, num verdadeiro apartheid, sendo contestado por Israel, gerando evidentes atritos com o governo americano. Por outro lado, discussões se os dois Estados conduzirão à paz, ou não. O problema foi colocado sob um ângulo igual ao que dizemos de há muito: o questionamento vem de 1948 e não de 1967: o mundo árabe-muçulmano não aceita um Estado de Israel na região; o problema não é de fronteiras. Se os árabes-muçulmanos (não havia palestinos nas duas ocasiões) aceitassem um Estado Judeu, teriam concordado com a Comissão Peel, de 1937, propondo a Partilha da Palestina e teriam concordado com a Partilha da Palestina decidida pelas Nações Unidas, em 1947. Nunca foi aceito um Estado de Israel com quaisquer fronteiras. É preciso compreender que os palestinos não desejam somente a soberania sobre a Margem Ocidental, Gaza e Jerusalém. O problema fundamental não é um Estado Palestino para os palestinos, mas eliminar um Estado Judeu, considerado ilegítimo; não interessa saber por onde passará a fronteira, se mais para um lado ou se mais para o outro, pois todo o território é visto como islâmico, não se podendo aceitar um Estado não-Islâmico sobre esse território, e isto é apartheid. Nunca houve antes um Estado Palestino islâmico, na região ou fora dela. A Palestina sempre foi uma região judaica, mas desde que foi ocupada, pela força, por muçulmanos, passou a território islâmico perpétuo. No fundo, uma disputa existencial entre duas civilizações. A não colocação deste tema, como ele realmente é, pela mídia, é que causa toda confusão. Não esqueçamos que a OLP - Organização para a Libertação da Palestina foi criada em 1964, quando não havia os tais "territórios ocupados". E que o Fatah foi criado em 1959, quando não havia "territórios ocupados", e sua finalidade foi de libertar a Palestina de judeus, do rio (Jordão) até o mar (Mediterrâneo). O Congresso do Fatah, que se encerrou ontem, adotou resoluções para continuar a luta contra a existência de Israel, apoiando o terrorismo contra Israel, exigindo a expulsão de judeus da Margem Ocidental e Jerusalém, inclusive da parte nova, exigindo um Estado Palestino judenrein, o retorno às fronteiras de 1949 com o retorno dos ditos refugiados, a libertação de todos os terroristas encarcerados em Israel; foi adotada resolução afirmando que Israel matou Arafat e por uma aliança com Irã. E Mahmoud Abbas foi reeleito Presidente do Fatah. É com esse indivíduo que se tem de negociar a paz. Vê-se ser impossível.
É aí que se deve entender a remoção dos habitantes judeus dos chamados assentamentos da Margem Ocidental, uma forma de apartheid, judenrein, para ganhar uma parte da questão, até que se possa erradicar o Estado de Israel, com a remoção de todos os judeus. Eis a questão central. Enquanto os palestinos não aceitarem o direito de Israel existir em paz e com segurança como um Estado Judeu não haverá paz. Poderá haver uma acomodação. Essa é a explicação pela qual, depois de anos de tentativas de paz, ela ainda não foi alcançada. O problema não é 1967, como se antes de 1967 tudo estivesse às mil maravilhas. 1967 foi mais um episódio decorrente da luta contra a existência do Estado Judeu na região desde que foi implantado em 1948, e imediatamente combatido e permanentemente aterrorizado desde então.
Enquanto Israel insiste em ser reconhecido como um Estado Judeu, os palestinos exigem o reconhecimento do direito de retorno dos refugiados e esses dois temas nada tem a ver com fronteiras. E o retorno de refugiados, mantidos durante esses 60 anos como massa de manobra, não absorvidos nos locais onde se encontram, e tratados como refugiados em Gaza, apesar da Faixa de Gaza se encontrar sob governo palestino, mostra o interesse em eliminar o Estado de Israel, jogando essa gente dentro das atuais fronteiras de Israel. Portanto, falar em fim da "ocupação", como se diz hoje na política internacional, e até assim falam grupos da esquerda em Israel, não resolverá o problema. Admitir que se devem remover os judeus assentados, porque, eventualmente passando tais áreas para um Estado Palestino, os judeus que lá permanecerem serão massacrados é admitir a barbárie estatal, impossível de se aceitar. O unilateralismo da entrega da Faixa de Gaza não poderia acontecer, com a barbárie da destruição das sinagogas. E ninguém protestou; o mundo permaneceu em silêncio. A barbárie se repete e, nas duas últimas semanas, gangues de árabes já mataram sete judeus, o último ontem, em Tel Aviv. Foram presos, mas mostra a violência existente.
Os demais países árabes são contra o Irã, país não árabe, querendo que Israel destrua o arsenal nuclear iraniano, mas não se importarão se bombas atômicas caírem sobre Israel. Acham que há muito processo de paz e pouca paz.
Mas sempre poderá haver uma forma de contornar diplomaticamente a questão sem resolver o choque de civilizações. A diplomacia não resolve os conflitos de populações, mas interrompe a guerra e mostra o caminho para uma reconciliação. Lembremos do caso da Alsácia e Lorena, uma disputa entre França e Alemanha, que está pacificada, não significando que os alemães acataram a solução sem ressentimentos. Temos o caso da Irlanda do Norte, onde católicos e protestantes pararam de se matar uns aos outros, mas não significa que acabaram os ressentimentos. No caso do Líbano, que se achava pacificado diplomaticamente, com cristãos e muçulmanos vivendo em equilíbrio, tornando o Líbano a Suíça do Oriente, e que foi rompido pelos muçulmanos, trazendo problemas e terror novamente. Mas o exemplo é de que se pode estancar a carnificina, que se pode acabar com os homens-bomba, com os foguetes e morteiros, que continuam caindo em Israel, vindos da Faixa de Gaza, que se podem fazer ambos os povos viver em paz, até que haja uma reconciliação das novas gerações que o costume acabará trazendo, deixando os conflitos para a história.